século V a.C. · A planície do Ganges, norte da Índia
Como o budismo começou com o despertar de Siddhartha Gautama, o que ensina sobre o sofrimento e seu fim, como é praticado e como se espalhou pela Ásia.
- Origem
- A planície do Ganges, norte da Índia
- Quando
- século V a.C.
- Fundador
- Siddhartha Gautama, chamado Buda (“o desperto”)
- Seguidores
- 324 milhões (2020)
- Principais ramos
- Theravada, Mahayana, Vajrayana
- Escrituras
- Cânone Páli (Tipitaka), Sutras Mahayana
Em resumo
- O budismo remonta a Siddhartha Gautama, um mestre da planície do Ganges a quem os seguidores chamam Buda, “o desperto”.
- Seu ensinamento central são as Quatro Nobres Verdades: a vida envolve sofrimento, o sofrimento nasce do desejo, ele pode cessar, e o Nobre Caminho Óctuplo leva a esse fim.
- Não há um deus criador em seu centro. A prática gira em torno da ética, da meditação e da sabedoria, apoiada pela comunidade de monges, monjas e leigos.
- Cerca de 324 milhões de pessoas eram budistas em 2020, quase todas na Ásia e no Pacífico.
Do texto
Manopubbaṅgamā dhammā, manoseṭṭhā manomayā. “A mente precede todas as coisas; a mente é sua soberana; elas são feitas pela mente.”
O livro sagrado
Cânone Páli
Tipiṭaka
- Língua
- Páli
- Escrito
- Transmitido oralmente; registrado por escrito no Sri Lanka no século I a.C.
- Conteúdo
- Três “cestos”: Vinaya, Sutta e Abhidhamma
O Cânone Páli é a escritura do budismo Theravada e a mais antiga coleção completa de textos budistas que chegou até nós. Seu nome, Tipitaka, significa “três cestos”. O Vinaya Pitaka reúne as regras da ordem monástica e as histórias de como surgiram. O Sutta Pitaka reúne os discursos do Buda e de seus principais discípulos, do primeiro sermão sobre as Quatro Nobres Verdades a longos diálogos sobre meditação, ética e renascimento. O Abhidhamma Pitaka analisa a mente e a matéria em detalhe sistemático.
Dentro do Sutta Pitaka está o Dhammapada, o texto mais amado do cânone: 423 versos curtos sobre a mente, o desejo, a bondade e o caminho para o nirvana. Seus primeiros versos ensinam que a mente conduz todas as coisas e que o sofrimento ou a felicidade decorrem do modo como se pensa e se age. Impresso por completo, o cânone ocupa dezenas de volumes; os budistas mahayana e vajrayana conservam muitos textos paralelos em traduções chinesas e tibetanas.
Monges e monjas estudam o cânone e entoam trechos dele diariamente, e nos dias de lua cheia os leigos se reúnem nos templos para ouvi-los. Versos de proteção chamados paritta são recitados em casamentos, bênçãos de casas e funerais. No Sri Lanka, em Mianmar e na Tailândia, copiar, imprimir ou patrocinar as escrituras é um ato meritório, e os manuscritos antigos em folhas de palmeira são muito estimados. Muitas crianças e adultos sabem de cor versos do Dhammapada.
Em imagens
- A estupa dourada de um grande pagode, que guardaria relíquias de quatro BudasPagode Shwedagon, Yangon, Mianmar
- Estupas vazadas nos terraços superiores de um monumento budista do século IXBorobudur, Java, Indonésia
- Um Buda colossal de bronze num dos maiores salões de madeira do mundoTōdai-ji, Nara, Japão
- Um Buda dourado coroado com uma auréola flamejanteTemplo budista chinês
- O antigo palácio de inverno dos dalai-lamas, erguendo-se sobre LhasaPalácio de Potala, Lhasa, Tibete
- Um mosteiro construído junto a um penhasco onde Padmasambhava teria meditadoParo Taktsang, Butão
Créditos das fotos
- Pagode Shwedagon, Yangon, Mianmar · Marcin Konsek, CC BY-SA 4.0
- Borobudur, Java, Indonésia · CEphoto, Uwe Aranas, CC BY-SA 3.0
- Tōdai-ji, Nara, Japão · Balon Greyjoy, CC0
- Templo budista chinês · Photo Dharma from Sadao, Thailand, CC BY 2.0
- Palácio de Potala, Lhasa, Tibete · Laika ac from UK, CC BY-SA 2.0
- Paro Taktsang, Butão · Nina R, CC BY 2.0
Redesenhadas para este site como pranchas ilustradas a partir das fotografias acima: recortadas, recoloridas, contornadas e com céus noturnos pintados. As imagens adaptadas são compartilhadas sob as mesmas licenças.
O desperto
O budismo começa com um homem nascido no sopé do Himalaia, em Lumbini, no atual Nepal. Siddhartha Gautama era filho de uma família governante do clã Shakya. Segundo a tradição, ele cresceu no conforto e deixou o lar aos vinte e nove anos, depois de ver pela primeira vez a velhice, a doença e a morte.
Durante seis anos estudou com mestres e experimentou jejuns rigorosos. Nada disso lhe trouxe a libertação que buscava. Escolheu então um “caminho do meio” entre a indulgência e a mortificação, sentou-se sob uma figueira em Bodh Gaya e meditou até, segundo creem os budistas, despertar para a verdade sobre o sofrimento e seu fim. A partir de então passou a ser chamado Buda, “o desperto”.
Fez seu primeiro sermão no parque dos cervos de Sarnath, perto de Varanasi, e passou os quarenta e cinco anos seguintes ensinando pela planície do Ganges. Morreu com cerca de oitenta anos em Kushinagar. Os historiadores situam sua vida em algum momento entre os séculos VI e IV a.C.; muitos hoje situam sua morte por volta de 400 a.C.
No século III a.C., o imperador indiano Ashoka apoiou o ensinamento e enviou emissários para além de seu império. Dali ele viajou para o sul até o Sri Lanka, para o noroeste até Gandhara e, pelas Rotas da Seda, até a China, a Coreia, o Japão e o Tibete. Na própria Índia, o budismo declinou depois do século XII, enquanto florescia em outras partes da Ásia.
- séc. V a.C. Bodh Gaya
- séc. III a.C. Gandhara
- séc. III a.C. Sri Lanka
- séc. I d.C. China
- séc. IV Coreia
- séc. VI Japão
- séc. VII Tibete
- séc. VIII Java
- séc. XI Birmânia
- séc. XIII Sião
- séc. XVI Mongóis
Concílios, reis e travessias
Depois da morte do Buda, diz a tradição, seus discípulos se reuniram em Rajagriha para recitar seu ensinamento e as regras monásticas, e um segundo concílio se reuniu em Vaishali cerca de um século depois. Disputas sobre a disciplina levaram à primeira grande divisão da Sangha, entre os Sthaviras, “anciãos”, e os Mahasanghikas, “grande comunidade”. Estes se dividiram ainda mais no que as fontes budistas contam como dezoito escolas antigas, das quais apenas o Theravada sobrevive hoje.
O apoio de Ashoka no século III a.C. fez do budismo, pela primeira vez, uma religião imperial. Seus éditos, gravados em rochas e colunas, promovem o Dharma como ética e tolerância, e a tradição atribui a seu filho Mahinda a chegada do ensinamento ao Sri Lanka. Nos primeiros séculos d.C., os governantes cuchanos do noroeste, sobretudo Kanishka, dotaram mosteiros em Gandhara, onde foram feitas algumas das primeiras imagens do Buda em forma humana. Grandes universidades monásticas como Nalanda, fundada por volta do século V, atraíam estudantes de toda a Ásia.
Mercadores e monges levaram o ensinamento pelas Rotas da Seda, e ele chegou à China por volta do século I d.C. Tradutores como Kumarajiva, por volta de 400, tornaram os textos indianos legíveis em chinês, e sob a dinastia Tang tomaram forma escolas chinesas como o Chan e a Terra Pura. O budismo passou à Coreia no século IV e da Coreia ao Japão no século VI. Sua sorte na China nem sempre esteve garantida: em 845, o imperador Wuzong mandou fechar milhares de mosteiros e devolveu centenas de milhares de monges e monjas à vida leiga. No Tibete, onde os reis convidaram mestres indianos, o mosteiro de Samye foi fundado por volta de 779, e em Java os reis Shailendra construíram Borobudur por volta de 800.
Na própria Índia, o budismo foi perdendo terreno aos poucos. Os historiadores apontam várias causas: o renascimento da devoção hindu, a dependência do patrocínio real e, por fim, a destruição de grandes mosteiros, entre eles Nalanda, em incursões turcas por volta de 1200. O Theravada, enquanto isso, ganhava força no sul. Reis como Anawrahta de Pagan, no século XI, e Parakramabahu I do Sri Lanka, no século XII, reformaram e unificaram a Sangha, e o Theravada se tornou a principal religião da Birmânia, da Tailândia, do Laos e do Camboja.
Em outros lugares surgiram novas escolas. No Japão, o período Kamakura (1185–1333) viu nascer movimentos fundados por Honen, Shinran, Dogen e Nichiren, que ainda moldam o budismo japonês. No Tibete, Tsongkhapa (1357–1419) inspirou a escola Gelug, cujo principal lama recebeu o título de Dalai Lama do governante mongol Altan Khan em 1578; em 1642, o quinto Dalai Lama se tornou governante do Tibete com apoio mongol.
O domínio colonial e as ideias modernas trouxeram tanto pressão quanto renovação. As missões cristãs desafiaram os budistas no Sri Lanka e na Birmânia, e reformadores como Anagarika Dharmapala, que fundou a Sociedade Maha Bodhi em 1891, responderam com um budismo moderno que enfatizava a razão, a meditação e a ética; o americano Henry Steel Olcott ajudou a fundar escolas budistas no Sri Lanka. No Japão, o governo Meiji separou o budismo do xintoísmo depois de 1868, e muitos templos foram fechados. Estudiosos ocidentais traduziram os textos em páli, e o budismo se tornou conhecido dos leitores da Europa e da América.
O século XX trouxe tanto perdas quanto novos começos. Governos comunistas reprimiram o budismo na Mongólia, na China e, sob o Khmer Vermelho (1975–79), no Camboja. Depois que forças chinesas entraram no Tibete em 1950, o décimo quarto Dalai Lama fugiu para a Índia em 1959. Em 1956, B. R. Ambedkar levou centenas de milhares de dalits a se converterem em Nagpur, revivendo o budismo em sua terra natal, e o Sexto Concílio se reuniu em Rangum de 1954 a 1956. Desde então, mestres asiáticos e convertidos ocidentais levaram a meditação à Europa e às Américas, e movimentos socialmente engajados, como o do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, ligam a prática à paz e ao trabalho social.
- c. 400 a.C. O Buda morre em Kushinagar, segundo muitas estimativas modernas.
- c. 260 a.C. Ashoka se volta para o Dharma após sua sangrenta conquista de Kalinga.
- século III a.C. Mahinda, segundo a tradição filho de Ashoka, leva o budismo ao Sri Lanka.
- segundo a tradição, 68 d.C. Fundação do Templo do Cavalo Branco em Luoyang, o primeiro templo budista da China.
- 538 ou 552 O budismo chega ao Japão vindo do reino coreano de Baekje.
- c. 779 Fundação de Samye, o primeiro mosteiro do Tibete, sob o rei Trisong Detsen.
- 845 O imperador Wuzong, da dinastia Tang, fecha milhares de mosteiros em toda a China.
- c. 1200 Nalanda e outros grandes mosteiros indianos são destruídos em incursões turcas.
- 1642 O quinto Dalai Lama se torna governante do Tibete com apoio mongol.
- 1956 B. R. Ambedkar e centenas de milhares de dalits se convertem em Nagpur.
- 1959 O décimo quarto Dalai Lama foge do Tibete para o exílio na Índia.
Quatro verdades e um caminho
A tradição sustenta que o primeiro sermão expôs as Quatro Nobres Verdades. A vida envolve dukkha, palavra que abrange o sofrimento, a angústia e a natureza insatisfatória das coisas que não duram. O dukkha nasce do desejo. Ele pode cessar por completo: essa cessação é o nirvana Literalmente “extinção”, como a de uma chama: o fim do desejo e do sofrimento e a libertação do renascimento, no budismo. Glossário. E existe um caminho que leva até ela.
Esse caminho é o Nobre Caminho Óctuplo, frequentemente agrupado em três partes: sabedoria (visão e intenção corretas), ética (fala, ação e meio de vida corretos) e meditação (esforço, atenção plena e concentração corretos). Os oito são praticados em conjunto, como os raios de uma roda, e não um depois do outro.
Duas outras ideias moldam o pensamento budista. O karma A ação e as suas consequências. As boas e as más ações moldam o futuro de uma pessoa, nesta vida e nas vidas por vir. Glossário é o ensinamento de que as ações intencionais moldam a experiência futura, nesta vida e além dela. O renascimento decorre do karma: os seres passam de vida em vida até que o desejo se extinga. O budismo também ensina o anatta, o “não eu”: nada em uma pessoa é um eu fixo e imutável.
O Buda é honrado como um mestre que encontrou o caminho, não como um deus criador. Muitas tradições reconhecem deuses e espíritos, mas como seres que também estão ainda no ciclo de renascimentos.
As Quatro Nobres Verdades
- iExiste o sofrimento
- iiEle nasce do desejo
- iiiEle pode cessar
- ivUm caminho leva até lá
O Nobre Caminho Óctuplo
- 1Visão correta
- 2Intenção correta
- 3Fala correta
- 4Ação correta
- 5Meio de vida correto
- 6Esforço correto
- 7Atenção plena correta
- 8Concentração correta
Formas de prática
No centro da vida budista estão as Três Joias: o Buda, seu ensinamento (o Dharma) e a comunidade (a Sangha). Uma pessoa se torna budista ao “tomar refúgio” nas três.
A Sangha, em sentido estrito, é a ordem de monges e monjas, que vivem segundo regras monásticas detalhadas. Os leigos os sustentam com alimento, túnicas e doações e, em troca, recebem ensinamentos. Nos países theravada, muitos rapazes passam um período como noviços.
A prática varia muito de um país para outro. Um aldeão tailandês pode oferecer comida aos monges ao amanhecer, uma família japonesa pode entoar o nome do Buda Amitabha diante de um altar doméstico, um peregrino tibetano pode contornar a pé uma montanha sagrada e um meditador na Europa pode passar uma semana sentado em silêncio. O que todos têm em comum é o objetivo de reduzir o desejo e cultivar a sabedoria e a compaixão.
Meditação
Acalmar a mente e ver com clareza: respiração, bondade amorosa, discernimento. Central para monges e monjas, e para muitos leigos.
Tomar refúgio
Comprometer-se com as Três Joias: o Buda, o Dharma (seu ensinamento) e a Sangha (a comunidade).
Os cinco preceitos
Ética leiga: não matar, não roubar, não ter má conduta sexual, não mentir, não usar intoxicantes.
Oferendas e esmolas
Flores, luz e incenso diante das imagens; alimento oferecido aos monges toda manhã nos países theravada.
Cânticos
Recitação de textos e mantras, sozinho ou em grupo, em páli, sânscrito, chinês, tibetano ou japonês.
Peregrinação
Aos quatro lugares da vida do Buda: Lumbini, Bodh Gaya, Sarnath e Kushinagar.
As escrituras
Nos primeiros séculos, as palavras do Buda foram transmitidas de memória e por recitação entoada. A coleção completa mais antiga que chegou até nós é o Cânone Páli, registrado por escrito no Sri Lanka no século I a.C.
Mais ou menos na mesma época, surgiram na Índia novos textos chamados sutra Escritura ou discurso; no budismo, um ensinamento atribuído ao Buda. Glossário, que se apresentavam como ensinamentos adicionais do Buda. Eles se tornaram a base do budismo Mahayana. Traduzidos para o chinês e o tibetano, cresceram até formar cânones de milhares de obras. Não existe uma Bíblia budista única: cada tradição dá autoridade à sua própria coleção.
Cânone Páli (Tipitaka)
Páli
“Três cestos” de discursos, regras monásticas e análise. Registrado por escrito no Sri Lanka no século I a.C., após séculos de recitação oral. Tem autoridade no Theravada.
Sutras Mahayana
Sânscrito, chinês
Textos como o Sutra do Lótus, o Sutra do Coração e o Sutra do Diamante, compostos a partir de cerca do século I a.C.
Cânone chinês
Chinês clássico
A vasta coleção usada no Leste Asiático, impressa por completo pela primeira vez no século X.
Cânone tibetano
Tibetano
O Kangyur (palavras do Buda) e o Tengyur (comentários), traduzidos sobretudo do sânscrito.
Três grandes veículos
Os budistas costumam descrever sua tradição em termos de “veículos” que levam as pessoas ao despertar. O Theravada, “o caminho dos anciãos”, preserva o Cânone Páli e é a forma predominante no Sri Lanka e no Sudeste Asiático continental. O Mahayana, “o grande veículo”, desenvolveu-se a partir de cerca do século I a.C. e se tornou o budismo da China, da Coreia, do Japão e do Vietnã. O Vajrayana, “o veículo de diamante”, nasceu do Mahayana e é praticado no Tibete, na Mongólia e no Himalaia.
Dentro do Mahayana, escolas como o Zen (Chan, na China) e a Terra Pura se difundiram especialmente. As fronteiras entre elas não são nítidas: muitos templos combinam meditação, devoção e ritual.
- Budismo primitivo
- Planície do Ganges. O ensinamento transmitido oralmente pelas primeiras comunidades de monges e monjas.
- Theravada
- Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Laos, Camboja. “O caminho dos anciãos”: preserva o Cânone Páli e o ideal do arahant, aquele que alcançou o nirvana.
- Mahayana
- China, Coreia, Japão, Vietnã. “O grande veículo”: novos sutras e o ideal do bodisatva, que busca o despertar em benefício de todos os seres.
- Vajrayana
- Tibete, Mongólia, Butão, Himalaia. “O veículo de diamante”: acrescenta rituais tântricos, mantras e visualização ao ensinamento Mahayana.
- Zen e Chan
- China, Japão, Coreia, Vietnã. Escolas que colocam a meditação sentada e a compreensão direta à frente do estudo dos textos.
- Terra Pura
- China, Japão. Devoção ao Buda Amitabha e renascimento em sua “terra pura”; a maior escola do Japão.
O budismo hoje
Cerca de 324 milhões de pessoas eram budistas em 2020, aproximadamente 4% da população mundial, segundo o Pew Research Center. Quase todas vivem na Ásia e no Pacífico. Os budistas formam grandes maiorias no Camboja, na Tailândia, em Mianmar e no Sri Lanka, e grandes minorias em países como China, Japão e Coreia do Sul, onde muitas pessoas combinam a prática budista com outras tradições.
O budismo foi a única grande religião cujo número de fiéis caiu entre 2010 e 2020. Desde o século XX, também se enraizou na Europa, nas Américas e na Austrália, por meio da migração e de convertidos atraídos especialmente pela meditação.
324 milhões
budistas em 2020, cerca de 4% do mundo
Seu número caiu de 343 milhões em 2010, sobretudo pelo envelhecimento da população e pelo abandono da religião no Leste Asiático. Fonte: Pew Research Center, 2025; censo de Mianmar (2014).
Clero e vida religiosa
Quem conduz, ensina e serve, cada um desenhado com a vestimenta que marca sua função.
Símbolos
Roda do Dharma
O ensinamento posto em movimento no primeiro sermão; seus oito raios são o Caminho Óctuplo.
Mais sobre este símboloLótus
Uma flor que brota limpa da água lamacenta: a mente que desperta em meio ao mundo.
Mais sobre este símboloFolha de bodhi
A folha da figueira sob a qual Siddhartha Gautama despertou.
Mais sobre este símboloEstupa
Um monumento em forma de cúpula sobre relíquias, que representa a mente desperta do Buda.
Mais sobre este símbolo
O ano
- Losar
- Fevereiro ou março. O ano-novo tibetano, com orações, oferendas e ritos de purificação.
- Magha Puja
- Fevereiro ou março. A reunião de 1.250 monges diante do Buda, celebrada nos países theravada com procissões à luz de velas.
- Vesak
- Geralmente a lua cheia de maio. O nascimento, o despertar e a morte do Buda, lembrados num só dia nos países theravada.
- Asalha Puja
- Lua cheia de julho. O primeiro sermão em Sarnath; o início do retiro das chuvas para os monges.
- Obon
- Julho ou agosto. Festa japonesa dedicada aos espíritos dos antepassados, com lanternas e danças.
- Kathina
- Outubro ou novembro. Os leigos oferecem túnicas novas aos monges no fim do retiro das chuvas.
- Dia de Bodhi
- 8 de dezembro. O despertar sob a árvore bodhi, celebrado nesta data no Japão e em muitas comunidades mahayana.
Perguntas frequentes
Os budistas acreditam em Deus?
O budismo não ensina um deus criador, e o Buda é honrado como um mestre que despertou, não como um deus. Muitas tradições budistas reconhecem deuses e outros seres, mas como seres dentro do ciclo de renascimentos, não como fonte de libertação.
O que é o nirvana?
Nirvana (em páli, nibbana) significa “extinção”, como a de uma chama que se apaga. É o fim do desejo, do sofrimento e do ciclo de renascimentos. Os textos budistas o descrevem sobretudo pelo que ele não é.
Qual é a diferença entre Theravada e Mahayana?
O Theravada preserva o Cânone Páli e o ideal do arahant, que alcança o nirvana. O Mahayana acrescenta sutras posteriores e o ideal do bodisatva, que busca o despertar para todos os seres. O Theravada predomina no Sri Lanka e no Sudeste Asiático continental; o Mahayana, no Leste Asiático.
Quando o Buda viveu?
A tradição situa sua vida nos séculos VI e V a.C. (muitas vezes 563–483 a.C.). Muitos historiadores hoje situam sua morte mais perto de 400 a.C. Todos concordam que ele viveu até cerca de oitenta anos.
Teste seus conhecimentos
8 perguntas sobre Budismo, com cada resposta explicada. Mais quizzes · Folha de atividades para professores
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Pergunta 1 de 8
Onde Siddhartha Gautama despertou, segundo os budistas?
Ele nasceu em Lumbini, despertou sob uma figueira em Bodh Gaya, fez seu primeiro sermão em Sarnath e morreu em Kushinagar.
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Em Bodh Gaya. Ele nasceu em Lumbini, despertou sob uma figueira em Bodh Gaya, fez seu primeiro sermão em Sarnath e morreu em Kushinagar.
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Pergunta 2 de 8
A primeira das Quatro Nobres Verdades trata…
Existe o dukkha; ele nasce do desejo; ele pode cessar; e um caminho leva até lá.
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Do dukkha: o sofrimento e a insatisfação. Existe o dukkha; ele nasce do desejo; ele pode cessar; e um caminho leva até lá.
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Pergunta 3 de 8
Os oito raios da roda do dharma representam…
A roda recorda o ensinamento posto em movimento no primeiro sermão.
Mostrar a resposta
O Nobre Caminho Óctuplo. A roda recorda o ensinamento posto em movimento no primeiro sermão.
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Pergunta 4 de 8
Que coleção de escrituras o budismo Theravada preserva?
O Cânone Páli, os “três cestos”, foi posto por escrito no Sri Lanka no século I a.C.
Mostrar a resposta
O Cânone Páli. O Cânone Páli, os “três cestos”, foi posto por escrito no Sri Lanka no século I a.C.
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Pergunta 5 de 8
O ideal do bodisatva, que busca o despertar para todos os seres, é central…
O Theravada propõe o ideal do arahant; o Mahayana acrescenta sutras posteriores e o ideal do bodisatva.
Mostrar a resposta
No Mahayana. O Theravada propõe o ideal do arahant; o Mahayana acrescenta sutras posteriores e o ideal do bodisatva.
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Pergunta 6 de 8
Que imperador indiano se voltou para o Dharma após sua sangrenta conquista de Kalinga?
O apoio de Ashoka, por volta de 260 a.C., fez do budismo uma religião imperial; seus éditos promovem a ética e a tolerância.
Mostrar a resposta
Ashoka. O apoio de Ashoka, por volta de 260 a.C., fez do budismo uma religião imperial; seus éditos promovem a ética e a tolerância.
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Pergunta 7 de 8
O que significa anatta?
O budismo ensina que nenhuma parte de uma pessoa é um eu fixo e imutável.
Mostrar a resposta
Não eu: nada em uma pessoa é um eu fixo. O budismo ensina que nenhuma parte de uma pessoa é um eu fixo e imutável.
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Pergunta 8 de 8
Segundo o Pew, qual grande religião foi a única cujo número de fiéis caiu entre 2010 e 2020?
Os budistas passaram de 343 milhões para 324 milhões, sobretudo pelo envelhecimento e pelo abandono da religião no Leste Asiático.
Mostrar a resposta
O budismo. Os budistas passaram de 343 milhões para 324 milhões, sobretudo pelo envelhecimento e pelo abandono da religião no Leste Asiático.
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Fontes e leituras adicionais
- Department of Population, Myanmar, The 2014 Myanmar Population and Housing Census: The Union Report: Religion (2016)
- Pew Research Center, “How the Global Religious Landscape Changed From 2010 to 2020: Buddhists” (2025)
- Encyclopaedia Britannica, “Buddhism”
- Peter Harvey, An Introduction to Buddhism: Teachings, History and Practices, 2nd ed. (Cambridge University Press, 2013)
- Rupert Gethin, The Foundations of Buddhism (Oxford University Press, 1998)
- Dhammacakkappavattana Sutta (Setting the Wheel of Dhamma in Motion), SN 56.11, on SuttaCentral