Edifícios Sagrados Explicados · Mesquitas, igrejas e sinagogas
A igreja ortodoxa
Como funciona uma igreja ortodoxa, do nártex e da nave à iconóstase, às portas reais e ao altar, sob uma cúpula de onde Cristo olha para os fiéis.
Tradições: Cristianismo
Parte por parte
Aponte para um número no desenho ou para um nome na lista para ver onde fica cada parte.
Sinos
Os sinos ficam pendurados em um campanário ou em uma torre separada e são tocados para chamar as pessoas aos ofícios e marcar momentos da liturgia. Na tradição russa, os sinos são fixos e tocados com seus badalos em padrões rítmicos. Alguns mosteiros, como os do Monte Athos, ainda usam também o semantron, uma tábua de madeira percutida com um malho.
Nártex
O vestíbulo de entrada, no lado oeste, entre o mundo exterior e a nave. Ali os fiéis compram e acendem velas, veneram um ícone e se preparam para entrar; nos primeiros séculos, era o lugar dos que se preparavam para o batismo e dos penitentes.
Nave
O espaço principal, onde a congregação fica de pé durante os ofícios. Tradicionalmente há poucos bancos ou nenhum, já que os cristãos ortodoxos costumam rezar de pé, embora muitas igrejas, sobretudo fora da Europa Oriental, tenham hoje assentos. Paredes e abóbadas muitas vezes são cobertas de pinturas de santos e de cenas da vida de Cristo.
Cúpula
A cúpula central representa o céu. No seu ponto mais alto há tradicionalmente uma imagem de Cristo Pantocrator, “soberano de tudo”, mostrada no desenho como um disco dourado, e os quatro evangelistas costumam ser pintados nos cantos abaixo dela. A luz das janelas do tambor sob a cúpula cai sobre o centro da nave.
Sóleo
Uma plataforma elevada que se estende diante da iconóstase, muitas vezes com um degrau saliente no centro, o ambão, de onde o diácono lê o Evangelho e o sacerdote prega. Os fiéis sobem ao sóleo para receber a comunhão.
Iconóstase
Um anteparo ou parede coberta de ícones que separa a nave do santuário. Cristo está sempre à direita das portas centrais e a Mãe de Deus à esquerda, com João Batista, o santo padroeiro da igreja e outros santos ao lado. Nas igrejas russas, o anteparo pode subir em vários níveis de profetas, apóstolos e festas.
Portas reais
As portas duplas no centro da iconóstase, geralmente pintadas com a Anunciação e os quatro evangelistas. Só o clero passa por elas, e apenas em momentos determinados do ofício; portas laterais menores, que muitas vezes mostram anjos ou santos diáconos, são usadas por diáconos e acólitos.
Altar
Atrás da iconóstase, na abside leste, fica a mesa sagrada onde se celebra a Eucaristia. Sobre ela estão o livro dos Evangelhos, uma cruz e o pano consagrado chamado antimension; ao norte há uma mesa lateral para preparar o pão e o vinho. Em geral, só o clero e quem serve no altar entram no santuário.
Em resumo
- I.Uma igreja ortodoxa é construída como imagem do céu na terra, com os fiéis reunidos na nave sob uma cúpula e o altar oculto atrás de uma parede de ícones chamada iconóstase.
- II.Esse tipo de edifício nasceu das igrejas com cúpula de Bizâncio, sobretudo da Santa Sofia de Justiniano, em Constantinopla, e da planta compacta em cruz inscrita que se seguiu a partir do século IX.
- III.A iconóstase evoluiu de uma barreira baixa diante do santuário para um alto anteparo de ícones, aberto pelas portas reais, por onde o clero leva o Evangelho e as oferendas durante a Divina Liturgia.
- IV.Das cúpulas em forma de cebola da Rússia aos mosteiros pintados da Romênia e às igrejas de pedra da Geórgia e da Sérvia, a mesma disposição de nártex, nave e santuário assume muitas formas locais.
Como visitar com respeito
- Vista-se de modo discreto; os homens costumam tirar o chapéu e, em muitas igrejas, sobretudo na Rússia, na Romênia e na Sérvia, as mulheres cobrem o cabelo.
- Não vá para trás da iconóstase nem passe pelas portas reais, reservadas ao clero.
- Os visitantes podem acender uma vela; é costume deixar uma pequena doação por ela.
- Durante os ofícios, fique em silêncio na parte de trás e evite andar diante dos fiéis.
- Peça permissão antes de fotografar ícones, ofícios ou membros do clero.
O que os registros mostram
- A Santa Sofia, em Constantinopla, foi construída em 532–537 d.C. para o imperador Justiniano por Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto, e sua cúpula serviu de modelo para as igrejas ortodoxas posteriores.
- A planta compacta em cruz inscrita, com uma cúpula central sobre quatro braços, tornou-se o tipo padrão de igreja bizantina a partir dos séculos IX e X.
- A iconóstase alta, com vários níveis, tomou forma na Rússia por volta de 1400; a da Catedral da Anunciação, no Kremlin de Moscou, associada a Teófanes, o Grego, e a Andrei Rublev, está entre as mais antigas conhecidas.
- A Igreja da Transfiguração, de madeira, em Kizhi, na Rússia, construída em 1714, é um edifício de troncos coroado por vinte e duas cúpulas de madeira.
Equívocos comuns
- Muitos pensam que a iconóstase esconde o altar das pessoas. O ensinamento ortodoxo a descreve antes como uma janela, que mostra Cristo e os santos, e as portas reais ficam abertas em momentos-chave da liturgia.
- Às vezes se diz que os cristãos ortodoxos adoram ícones. O ensinamento ortodoxo, confirmado pelo Segundo Concílio de Niceia, em 787, distingue a veneração do ícone da adoração, que é devida somente a Deus; a honra prestada à imagem passa, nas palavras do concílio, àquele que ela representa.
- As cúpulas em forma de cebola às vezes são vistas como característica de toda igreja ortodoxa. Elas pertencem sobretudo à tradição russa e às tradições aparentadas; as igrejas gregas, sérvias e georgianas costumam ter cúpulas hemisféricas ou cônicas.
Capítulo I
Da Santa Sofia à igreja de aldeia
As primeiras igrejas cristãs do Império Romano eram em sua maioria basílicas: longos salões com naves laterais e uma abside em uma das extremidades, adaptados de edifícios públicos romanos. Na metade oriental do império, os construtores passaram cada vez mais a coroar as igrejas com cúpulas. A mais ambiciosa foi a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria em Constantinopla, construída em apenas cinco anos, 532–537 d.C., para o imperador Justiniano. Sua imensa cúpula, que parecia flutuar sobre um anel de janelas, impressionou os contemporâneos como imagem do céu e se tornou o símbolo por excelência da arquitetura religiosa bizantina. Depois da conquista otomana de 1453, tornou-se mesquita, depois museu, em 1934, e de novo mesquita, em 2020.
Poucas igrejas posteriores tentaram igualar a escala da Santa Sofia. A partir dos séculos IX e X, depois do fim da controvérsia sobre os ícones, os construtores bizantinos adotaram uma planta menor e mais compacta, a cruz inscrita. Quatro braços de igual comprimento se encontram sob uma cúpula central erguida sobre um tambor, com compartimentos mais baixos nos cantos completando um quadrado. A oeste fica o nártex; a leste, o santuário com suas três absides. A planta servia tanto a mosteiros quanto a igrejas paroquiais e se espalhou com o cristianismo ortodoxo pelos Bálcãs, pela Rússia, pela Geórgia e além.
No interior, o espaço era organizado em torno de um programa simbólico de imagens. O Pantocrator olhava do alto da cúpula, a Mãe de Deus aparecia na abside acima do altar, e festas e santos ocupavam as paredes em uma ordem fixa. Entre a nave e o santuário ficava o templon, uma barreira baixa de colunas e uma viga. Com o passar dos séculos, ícones foram colocados sobre ele e, na Rússia do fim da Idade Média, ele cresceu até se tornar a alta iconóstase, uma parede de ícones dispostos em níveis, que mais tarde se espalhou por grande parte do mundo ortodoxo.
O modelo bizantino viajou para o norte com a conversão da Rus’, tradicionalmente datada de 988, quando o príncipe Vladimir de Kiev foi batizado. Mestres bizantinos e seus discípulos locais construíram a Catedral de Santa Sofia de Kiev no século XI, um conjunto de cúpulas sobre um núcleo em cruz inscrita, com mosaicos e afrescos no interior. A partir de Kiev e, mais tarde, de Novgorod, Vladimir e Moscou, o tipo foi adaptado a novos materiais e a um clima mais frio: telhados mais íngremes deixavam a neve escorrer, os tambores ficaram mais altos e estreitos e as cúpulas assumiram a forma bojuda de cebola. Nos Bálcãs, construtores búlgaros, sérvios e romenos também combinaram plantas bizantinas com a cantaria e a decoração locais. Mesmo onde as formas externas mudaram, a ordem interna de nártex, nave e santuário e os lugares fixos dos grandes ícones permaneceram notavelmente constantes em todo o mundo ortodoxo.
Capítulo II
A Divina Liturgia
A igreja existe sobretudo para a Divina Liturgia, a celebração ortodoxa da Eucaristia, mais frequentemente na forma atribuída a São João Crisóstomo. O edifício é pensado para os seus movimentos. O sacerdote prepara o pão e o vinho em uma mesa lateral do santuário. Na Pequena Entrada, ele e o diácono levam o livro dos Evangelhos para fora por uma porta lateral e voltam pelas portas reais; na Grande Entrada, levam as oferendas em procissão até o altar. Na comunhão, o sacerdote sai para o sóleo para dar o sacramento aos fiéis.
O ensinamento ortodoxo vê o edifício da igreja como o céu na terra. A nave, onde fica o povo, representa o mundo em transformação; o santuário representa o reino celeste; a iconóstase se ergue entre os dois como ponto de encontro. Os ícones não são decoração, mas, na crença ortodoxa, janelas para o sagrado, e os fiéis os saúdam com o sinal da cruz, uma inclinação e muitas vezes um beijo. Velas e incenso enchem a igreja, e grande parte do ofício é cantada, tradicionalmente sem instrumentos.
O ano litúrgico dá ritmo ao edifício. A noite mais importante é a da Páscoa, quando a igreja fica às escuras antes da meia-noite e depois se enche da luz das velas, enquanto o sacerdote proclama a ressurreição e conduz uma procissão em volta do edifício. A Grande Quaresma, o Natal e as doze grandes festas têm cada um seus próprios ofícios. As igrejas também acolhem batizados, casamentos com coroas erguidas sobre os noivos e funerais, e em muitas aldeias a igreja continua sendo o centro da vida comunitária.
Capítulo III
Cúpulas, afrescos e madeira
A disposição básica de nártex, nave e santuário é comum a todo o mundo ortodoxo, mas cada região lhe deu uma aparência própria. Na Grécia e nos Bálcãs, são típicas as pequenas igrejas de tijolo e pedra com cúpulas cobertas de telhas, muitas decoradas por dentro com afrescos. A Sérvia medieval criou um estilo característico nos mosteiros do vale do Morava, com pedra ricamente esculpida em volta de janelas e portas. Na Geórgia, igrejas de pedra lavrada têm altos telhados cônicos sobre as cúpulas, como em Jvari e Svetitskhoveli, perto de Mtskheta.
Os construtores russos desenvolveram a cúpula em forma de cebola, muitas vezes dourada ou pintada em cores vivas, e multiplicaram as cúpulas sobre uma única igreja. A Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha de Moscou, construída em 1555–1561, reúne um anel de capelas em volta de uma torre central em um único conjunto colorido. Nas florestas do norte da Rússia, carpinteiros construíram igrejas inteiras de troncos, cujo ponto culminante é a Igreja da Transfiguração de Kizhi, com vinte e duas cúpulas.
Na Romênia, os mosteiros da Bucovina, como Voroneț, Sucevița e Moldovița, são famosos pelos afrescos em suas paredes externas, pintados no século XVI e que mostram cenas como o Juízo Final em azuis e verdes profundos. Igrejas de madeira com telhados íngremes e flechas muito altas e esguias são características de Maramureș. Onde quer que estejam, do Alasca ao Líbano e da Finlândia a Chipre, as igrejas ortodoxas mantêm o mesmo coração: uma congregação voltada para o leste, diante de uma parede de ícones e do altar que fica além dela.
Perguntas frequentes
Por que os cristãos ortodoxos ficam de pé na igreja?
Ficar de pé é a postura tradicional da oração e da ressurreição na prática ortodoxa, e as primeiras igrejas não tinham assentos fixos. Bancos junto às paredes ficam reservados aos idosos e enfermos, e muitas igrejas no exterior têm hoje bancos na nave.
O que significam as cúpulas de uma igreja ortodoxa?
A cúpula principal representa o céu e Cristo. Quando há várias cúpulas, uma interpretação comum vê em cinco cúpulas Cristo e os quatro evangelistas, e em treze, Cristo e os doze apóstolos.
Por que uma igreja ortodoxa é voltada para o leste?
O altar fica no lado leste porque o oriente, onde nasce o sol, simboliza Cristo e a esperança de sua volta, um costume compartilhado com a maioria das igrejas cristãs antigas e medievais.
Fontes e leituras adicionais
- Richard Krautheimer and Slobodan Ćurčić, Early Christian and Byzantine Architecture (4th edn, Penguin, 1986)
- Cyril Mango, Byzantine Architecture (Harry N. Abrams, 1976)
- Robert G. Ousterhout, Eastern Medieval Architecture: The Building Traditions of Byzantium and Neighboring Lands (Oxford University Press, 2019)
- Leonid Ouspensky and Vladimir Lossky, The Meaning of Icons (St Vladimir’s Seminary Press, 1982)
- Timothy Ware, The Orthodox Church (new edn, Penguin, 1993)